Na madrugada de 12 de novembro de 1823, tropas cercaram a Assembleia Constituinte do Brasil.
Ao fim da sessão que ficaria conhecida como a Noite da Agonia, catorze deputados estavam presos, entre eles os três irmãos Andrada, deportados em seguida para a França. Nascia ali, junto com o Império, a versão que a escola repete há dois séculos: a de que a Constituinte conspirava para reduzir os poderes de D. Pedro I e, por isso, foi dissolvida.
Este livro mostra, documento por documento, que essa versão não se sustenta. Os Diários da Assembleia revelam uma Constituinte respeitosa com o imperador, e a Carta de 1824, outorgada meses depois, era quase uma cópia do projeto em discussão. Para os autores, o motivo real foi outro e ficou escondido: depois da Vilafrancada de junho de 1823, D. João VI pôs em marcha um plano silencioso para restaurar o Reino Unido com Portugal, e o único obstáculo no caminho era uma Assembleia que jamais transigiria com a Independência.
A partir de despachos diplomáticos, correspondências reais, jornais da época e dos próprios anais da Assembleia, os autores reconstituem a trama e desmontam os “documentos da dissolução” que enganam historiadores até hoje. Prefácio de Laurentino Gomes.